As leis como construção coletiva
justiça e convenção em Protágoras
Palavras-chave:
Protágoras, Justiça, Coletividade, LeiResumo
O presente trabalho tem como objetivo reconstruir a concepção de justiça em Protágoras a partir das interpretações de Vérgniéres (1988), Romeyer-Dherbey (1986) e Guthrie (1995). Como veremos, nessa concepção, o elemento principal para ser possível a vida em comunidade seria o laço político, na medida em que, seguindo o mito, a justiça (diké) e o pudor (aidos) são distribuídos aos homens por Hermes não como imposição de leis divinas, mas como uma capacidade humana de instituir o justo. Desse modo, o estudo busca expor como a justiça se configura como fundamento na vida política. Nós realizamos a uma análise filosófica e interpretativa ao mito protagórico, considerando também a sua relação com o relativismo, que diz ser a verdade algo relativo, e o agnosticismo, que diz serem os deuses inexplicáveis. Assim sendo, Protágoras recusa uma justiça transcendente, destacando o papel da cidade como um espaço de construção normativa. Para o sofista, a retidão se torna algo necessário para a coletividade, assim a discussão evidencia que a lei se torna o critério para a justiça. Destarte, não há um padrão absoluto de equidade, mas múltiplas definições construídas coletivamente, partindo da sociedade e da educação. Consequentemente, na concepção de Protágoras, a justiça não deriva da natureza ou dos deuses, mas da comunidade política.Downloads
Publicado
2026-09-15
Edição
Seção
Anais da Semana de Filosofia da UVA - Artigos
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