O eclipse do mundo comum
Hannah Arendt entre o espaço público e a sociedade digital
Palavras-chave:
Espaço público, mundo comum, sociedade, dignidade politicaResumo
Este artigo analisa o processo de esvaziamento do espaço público na contemporaneidade à luz da filosofia política de Hannah Arendt, investigando como as transformações promovidas pela sociedade digital afetam a constituição do mundo comum, a experiência da pluralidade e a preservação da dignidade política. A pesquisa parte da hipótese de que o ambiente digital, embora amplie as possibilidades de comunicação e mobilização, tende a fragilizar o espaço público ao substituir a ação compartilhada por formas de participação marcadas pela instantaneidade, pela lógica algorítmica e pela performance. Metodologicamente, o estudo baseia-se em revisão bibliográfica, articulando o pensamento arendtiano com contribuições de Byung-Chul Han, Seyla Benhabib, Michel Foucault e outros comentadores contemporâneos. Os resultados indicam que a mediação algorítmica e a cultura da visibilidade convertem o reconhecimento mútuo em competição, enfraquecendo a pluralidade e a liberdade como fundamentos da política. Conclui-se que o eclipse do mundo comum não representa o desaparecimento absoluto da política, mas o obscurecimento das condições que a tornam possível, exigindo a reconstrução de espaços capazes de preservar a dignidade política e a ação entre sujeitos plurais.Downloads
Publicado
2026-09-15
Edição
Seção
Anais da Semana de Filosofia da UVA - Artigos
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