A crítica platônica ao discurso poético-religioso da religião grega tradicional e sua aplicação na contemporaneidade
Palavras-chave:
Platão, Religião, PolíticaResumo
A religião, enquanto fenômeno humano, está intrinsecamente ligada com a história das sociedades. A política, não diferente, também é um elemento que sempre esteve presente na experiência humana desde o surgimento das primeiras civilizações que se tem registro. A prática de uma, por muito tempo, esteve conectada com a outra. A sua separação ainda é um acontecimento muito recente e somente a nível legal, visto que culturalmente ainda estão muito ligadas. Nesse sentido, cabe trazer o que Platão discute sobre a temática em República, a partir de uma análise da tradição poética grega, em especial Homero e Hesíodo. Platão apresenta uma crítica ao discurso poético-religioso e como ele afeta a pólis, o Estado, argumentando que as histórias transmitidas pelos poetas instiguem paixões, discordâncias e aspirações que podem pôr em risco o desenvolvimento da cidade ideal ao identificar os deuses com características humanas. Os poetas mostram um divino que é tão discordante, egoísta, raivoso e pecador quanto a humanidade. Uma vez que a Justiça − fundamento ético-político para o Estado − é reconhecida como harmonia de funções na pólis, uma religião que, em seus ritos, alimenta essas paixões, é nociva para a prática política e o alcance da felicidade. Com esse ângulo, pretende-se apresentar essa crítica e aplicá-la ao discurso político-religioso da modernidade, como estes justificam guerras, massacres e processos violentos dentro das próprias nações onde são praticados.Downloads
Publicado
2026-09-15
Edição
Seção
Anais da Semana de Filosofia da UVA - Artigos
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