Vírus: reinterpretando a história natural e sua importância ecológica

Palavras-chave: Vírus, Simbiose, Endossimbiose, Origem da vida, Progenotos, Ecossistemas, Biossemiótica

Resumo

O presente ensaio visa propor uma mudança na forma pela qual os vírus têm sido entendidos pelos seres humanos. Normalmente tidos como agentes infecciosos, os vírus na verdade são as entidades biológicas mais abundantes em nosso planeta, tendo uma função absolutamente crucial na ecologia e na evolução da vida na Terra. Se consideramos a teoria biossemiótica, que define a vida enquanto um processo operado por códigos orgânicos, concluímos que os vírus devem ser enquadrados dentro da categoria de seres vivos uma vez que eles compreendem a linguagem mais básica da biologia, ao apresentarem proteínas codificadas na forma de ácidos nucleicos. Além disso, a anatomia e fisiologia viral devem ser compreendidas como um tipo de estratégia alternativa alcançada por esses organismos para expressarem suas informações genéticas. De fato, vírus não necessitam infectar células para manifestar seus metabolismos, eles precisam unicamente ter acesso ao ribossomo para serem capazes de replicar suas informações. Finalmente, é possível supor que alguns grupos virais sejam mais antigos do que as células e contemporâneos aos subsistemas pré-celulares conhecidos como progenotos. Os vírus são agentes simbióticos cruciais para a evolução e plasticidade dos genomas, são importantes para organizar a cromatina e permitir o empacotamento do DNA, têm relevância no desenvolvimento de órgãos em organismos multicelulares e são importantíssimos para o equilíbrio dos ecossistemas.

Biografia do Autor

Francisco Prosdocimi, UFRJ
É professor associado e pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ministra disciplinas regulares na pós-graduação em Química Biológica (CAPES nível 7) nas áreas de (i) Bionformática, (ii) Big Data, (iii) Genômica comparativa e evolutiva, (iv) Epistemologia e filosofia da ciência e (v) Oficina de ciência, arte e educação. Como pesquisador, trabalha principalmente com bioinformática para a análise de genomas e transcriptomas. Seus projetos atuais visam documentar a biodiversidade brasileira em nível molecular ao estudar genomas de aves, peixes, orquídeas e outros organismos. Realiza estudos multidisciplinares que tentam unir a genômica, o estudo do metabolismo animal e vegetal, o estudo da biodiversidade brasileira e a biomedicina. Francisco participa de grupos nacionais e internacionais de excelência em pesquisa científica, tendo publicado em periódicos importantes como: Science, PNAS, Nucleic Acids Research, Genome Research e outros. Doutor em bioinformática e mestre em genética pela UFMG, Francisco tem importantes e consistentes experiências internacionais de pesquisa, tendo trabalhado no Sanger Center (Cambridge, UK), Institut de Genetique et Biologie Moleculaire (Strasbourg, França), Cold Spring Harbor Laboratory (New York, US), Duke University (Durham, US), Université de Bourdeaux (Bordeaux, França), Universitat Wurzburg (Wurzburg, Alemanha) e Botanischer Garten (Berlim, Alemanha).
Sávio Torres de Farias, UFPB
Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Paraíba (2001), mestrado em Genética pela Universidade Federal da Paraíba (2003) e doutorado em Genética pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006). Atualmente é professor Associado I da Universidade Federal da Paraíba,membro da Academia Ibero-americana de Biologia Evolutiva e professor visitante na Universidad Nacional Autonoma de México. Vem desenvolvendo trabalhos sobre origem do sistema biológico, com ênfase na organização biológica do Ultimo Ancestral Universal Comum.
Publicado
2021-03-23
Como Citar
Prosdocimi, F., & Farias, S. T. de. (2021). Vírus: reinterpretando a história natural e sua importância ecológica. Revista Helius, 3(2, fasc. 3), 1791-1811. Recuperado de //helius.uvanet.br/index.php/helius/article/view/186
Seção
Artigos do Dossiê