As bases fisicalistas do evolucionismo na teoria sintética da evolução

  • Douglas Nascimento Santana UnB
  • Rosana Tidon UnB
  • Samuel J. Simon UnB
Palavras-chave: Teoria Sintética da Evolução, Evolucionismo, Causalidade, Análise epistemológica

Resumo

A Teoria Sintética da Evolução contempla um conjunto de conceitos e princípios que representam pré-condições filosóficas a serem cumpridas para o entendimento de fenômenos evolucionistas. Esse arcabouço filosófico é heterogêneo: seus componentes derivam de diferentes linhagens de pensamento científico e histórias conceituais. Nós investigamos os pressupostos oriundos das ciências físicas que sustentam a tese evolucionista, especialmente a presença e uso da noção de causa e causalidade. São exploradas três dimensões: epistemológica, metodológica e formal. Por meio da análise epistemológica, conclui-se que a episteme evolucionista está, de fato, alicerçada em princípios fisicalistas, sobretudo na causalidade mecânica. O evolucionismo emprega explicações do mundo inorgânico para compreender fenômenos biológicos desde seus primórdios, sendo as descrições mais recentes da hereditariedade e da variação genéticas por meio de reações físico-químicas um reforço dessa influência. Mediante uma investigação metodológica, evidencia-se que o método experimental-quantitativo é apropriado ao estudo de fenômenos biológicos quando o objetivo é encontrar causas próximas (funcionais). Não obstante, ao lidar com as causas finais (evolucionistas), o método histórico-comparativo-observacional tende a se tornar o principal instrumento de investigação. Por meio da análise formal dos elementos lógicos e linguísticos do evolucionismo, delineiam-se os compromissos de sua estrutura argumentativa com os pressupostos naturalisto-nomológicos das ciências físicas. Existem regularidades apreensíveis nos fenômenos biológicos. O conceito de lei biológica, entretanto, precisa ser matizado pela descrição de seus elementos peculiares, como o caráter probabilístico inerente a sua aplicação a fenômenos repetitivos e o poder limitado de generalização de regras de funcionamento que tratam de eventos singulares.

Biografia do Autor

Douglas Nascimento Santana, UnB
Graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (2006) e Mestrado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2014). Atuou como médico durante 10 anos, nas áreas de Internação Domiciliar e Toxicologia. Na área de administração hospitalar, durante 6 anos (2009-2015) exerceu o cargo de Diretor Geral do Centro de Referência em Oncologia do Estado da Bahia (CICAN), hospital público de alta complexidade com aproximadamente 450 funcionários e 2000 atendimentos diários. Exerceu durante 2 anos o cargo de professor universitário do curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, na disciplina Propedêutica Médica. Em 2016, mediante concurso público, ingressou na carreira diplomática. Atualmente, é diplomata atuante na Coordenação-Geral de Gestão e Governança do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), professor assistente do Instituto Rio Branco e doutorando em Filosofia pela Universidade de Brasília (UnB), na linha de pesquisa de Filosofia da Ciência.
Rosana Tidon, UnB
Licenciada em Ciências Biológicas (1984), mestre em Entomologia (1988) e doutora em Genética (1992) pela Universidade de São Paulo. Em 1996 vinculou-se ao Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília, onde atualmente é Professora Titular e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ecologia. Atuou como Pesquisadora Visitante na Universidade de Harvard, Estados Unidos (2003), e como Professora Visitante na Universidade de Göttingen, Alemanha (2019). Na Universidade de Brasília, desenvolve ensino, pesquisa e extensão nas áreas de Biologia Evolutiva, Invasões Biológicas e Ensino de Biologia Evolutiva.
Samuel J. Simon, UnB
Pós-doutorado pela Universidade de Paris VII/CNRS (04/2008-02/2009), Doutorado em Epistemologia pela Universidade de Paris (03/1992-02/1995), Especialização (DEA) em Epistemologia pela Universidade de Paris VII (09/1990-02/1992), Mestrado em Física pela Universidade de São Paulo (03/1982-08/1984) e graduação em Física pela Universidade de Brasília (08/1973-12/1976). Professor Associado do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (desde 1995), trabalhando nos seguintes temas: Concepções de Teoria Científica; Descoberta, Justificação e Mudança Científica; Realismo Científico; Explicação e Causalidade; Filosofia da Física. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Universidade de Brasília (janeiro de 2015-janeiro de 2017). Líder do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Ciência e Método Científico.
Publicado
2021-03-23
Como Citar
Santana, D. N., Tidon, R., & Simon, S. J. (2021). As bases fisicalistas do evolucionismo na teoria sintética da evolução. Revista Helius, 3(2, fasc. 3), 1392-1416. Recuperado de //helius.uvanet.br/index.php/helius/article/view/188
Seção
Artigos do Dossiê